
Vocabulário dos jovens deixa os pais de "cabelo em pé"
Por: Sandro Miranda
“Você está perdendo o português, minha filha”, disse a atriz Ingrid Guimarães, em uma conversa com Clara, de 16 anos. O “print”, divulgado pela própria artista, repercutiu rapidamente nas redes sociais de maneira cômica. Mas, se você já viu um adolescente escrever “cpa”, “nn”, “tá de aura” ou “amassou” e ficou sem entender nada, saiba que não está sozinho. Muitos pais têm a sensação de que os filhos criaram um idioma próprio – especialmente nas conversas por mensagens, nas plataformas digitais e nos jogos on-line.
A verdade é que a linguagem jovem sempre existiu. O que muda agora é a velocidade com que novas palavras e expressões surgem, espalham-se e desaparecem. Um termo nasce em vídeos curtos, viraliza em “memes”, invade o chat dos games e, em poucos dias, já faz parte do vocabulário de milhares de adolescentes.
Para quem é de outras gerações, acompanhar tudo isso pode parecer um desafio quase impossível. Porém, é importante lembrar que a língua está sempre em transformação, e cada geração deixa sua marca no jeito de se comunicar.
“Na nossa época, era assim também”
O securitário Fabio Cesar de Medeiros, de 49 anos, convive com essa diferença de linguagem dentro de casa e encara a situação com bom humor.
“É uma linguagem com a qual a gente tem de se acostumar. Na nossa época, era assim também, né?! Às vezes, em casa, usávamos algumas expressões que os nossos pais não entendiam muito bem. É a nova geração; o tempo vai passando, as coisas vão mudando. Acho que faz parte”, compara.
Pai do estudante Caio Cesar de Oliveira de Medeiros, de 17 anos, ele conta que o filho costuma moderar a fala perto da família, mas a comunicação muda bastante quando está com a turma.
“Comigo e com a minha esposa, ele é mais contido nessa linguagem atual da molecada. Mas, às vezes, quando ele está jogando na internet com os amigos, conversando via chat, sai cada coisa que eu fico viajando (risos).”
Por que os jovens falam assim?
Existem alguns motivos para esse fenômeno:
- Rapidez: abreviações economizam tempo ao digitar.
- Pertencimento: usar certas palavras faz o jovem se sentir parte do grupo.
- Criatividade: gírias reinventam a linguagem.
- Internet: memes, influenciadores e jogos espalham expressões rapidamente.
Glossário básico para os pais sobreviverem em 2026
– Conversas por mensagem:
cpa – capaz, talvez
nn / n – não
pq / pk / pqq – por quê / porque
slk – “se loko” / você é louco, usado para surpresa
mds – meu Deus
tbm – também
“six seven” – usada aleatoriamente como gíria de pertencimento ou resposta vaga
“formar” – realizar tarefas
– Redes sociais:
“Aura” – carisma, presença forte, alguém admirado.
“Cringe” – algo vergonhoso, fora de moda.
“Flopou” – fracassou, não deu certo.
“Viralizou” – espalhou muito rápido.
“Entregou tudo” – foi muito bem.
– Jogos e amizades:
“Amassou” – venceu fácil, dominou.
“Tiltou” – ficou nervoso, perdeu a calma.
“Rushar” – agir rápido, partir para cima.
“Farmar” – acumular recursos no jogo.
GG – “good game”, fim de partida ou elogio.
Como lidar sem conflito?
Em vez de reclamar de cada palavra nova, o melhor caminho pode ser a curiosidade. Perguntar o significado de uma expressão pode render conversas, risadas e aproximação.
Também vale lembrar que muitos adolescentes sabem separar ambientes: falam de um jeito com os amigos e de outro em casa, na escola ou em uma entrevista de emprego.
No fim das contas, toda geração cria seus códigos. Ontem, eram as gírias dos pais. Hoje, são as abreviações dos filhos. Amanhã, provavelmente, serão eles tentando entender o vocabulário dos próprios filhos. Só não pode “flopar”!





