
O algoritimo está moldando você?
Por: Sandro Miranda
O que é o algoritmo e como ele influencia você?
Já percebeu que, às vezes, parece que o celular “adivinha” o que você quer ver? Basta assistir a um vídeo sobre música, futebol, livros, games, viagens ou outro tema qualquer para surgirem conteúdos parecidos logo depois. Isso não acontece por acaso. Por trás das redes sociais, existe uma ferramenta chamada algoritmo, e ela nos influencia muito mais do que imaginamos.
De acordo com uma pesquisa feita pela Box1824 e divulgada no site da revista Forbes, no final de abril, 42,9% dos brasileiros admitem não saber diferenciar o que é gosto pessoal do que foi sugerido pelo algoritmo. Além disso, 38,7% gostariam de seguir mais os próprios interesses, em vez de serem influenciados.
Mas, afinal, o que é algoritmo? Apesar do nome esquisito, a ideia é simples. Trata-se de um “detetive virtual”, programado para analisar os assuntos mais relevantes do momento. Ele pesquisa o que você curte, comenta, compartilha e assiste por mais tempo. Então, passa a entregar publicações semelhantes, tentando atrair a sua atenção e manter você “engajado” nas redes.
Há algumas décadas, não era assim. As pessoas consumiam informação de maneira mais coletiva. Era comum, por exemplo, todo mundo se juntar no mesmo horário para assistir à novela ou ao filme que estivesse no ar. Gostando ou não, você tinha de acompanhar o que os outros estavam vendo. Hoje, a experiência é altamente personalizada. Você e seus amigos podem curtir a mesma série, mas cada um assiste na hora que quiser, estando juntos ou não.
Mesmo trabalhando com tecnologia, Marcos Aurélio Júnior admite que existem dois lados, o bom e o ruim. “Apesar de perceber que estou recebendo mais notícias sobre assuntos do meu interesse – o que é bom –, acabo consumindo mais pela influência do algoritmo”, assume.
A fé (bre) dos vídeos curtinhos
O ambiente digital favorece conteúdos de curta duração e que causem impacto, e esse fenômeno também alcançou o cristão. Nos últimos anos, publicações direcionadas ao público evangélico ganharam força nas redes sociais. Pregações curtas, devocionais rápidos, cortes de podcasts, testemunhos, frases motivacionais e vídeos emocionantes alcançam milhões de visualizações todos os dias.
Muita gente passou a ter contato com mensagens bíblicas justamente por meio da internet. Perfis cristãos se tornaram populares, influenciadores religiosos cresceram e igrejas passaram a investir mais no ambiente digital.
Por um lado, isso abriu portas importantes para a evangelização. Uma mensagem de esperança pode alcançar alguém em poucos segundos, em qualquer lugar do mundo. Por outro, é preciso atenção para não transformar a fé em algo superficial, guiado apenas pelo rolar de telas.
O problema é que temas profundos acabam sendo simplificados demais. Versículos isolados, frases de efeito e mensagens simples de motivação podem até viralizar, mas nem sempre estimulam reflexão, estudo bíblico ou amadurecimento espiritual.
O algoritmo pode influenciar hábitos, gostos e opiniões. No entanto, valores, identidade e fé precisam ir além das tendências do momento. Afinal, nem tudo o que aparece no feed merece ocupar espaço no coração.





