
Vamos mergulhar nesse assunto juntos? Afinal, na casa de Deus, ninguém fica de fora!

Por: Sandro Miranda | Arte: Rafael Barsottelli
Uma condição do cérebro
Cada um de nós tem um jeito próprio de ser e de ver o mundo. Alguns são mais comunicativos, outros preferem observar em silêncio. Dentro dessas diferenças, existe o transtorno do espectro autista (TEA). Que não é uma doença, mas uma condição natural do cérebro, que faz a pessoa organizar as ideias e sensações de uma forma única.
Quanto mais buscamos entender como o autismo funciona, melhor conseguimos acolher, respeitar e incluir todos os colegas e amigos.
Tranquilidade, rotina e brincadeiras
Sabe aquele barulho de fundo que você quase não nota? Para uma criança autista, o som de um ventilador ou de uma conversa distante pode ser tão alto quanto um show com bateria. Além disso, entender gírias ou aquelas “indiretas” que as pessoas jogam no ar é difícil para os autistas. Eles preferem uma comunicação mais direta, sem rodeios. Quando um autista gosta de Astronomia ou História, por exemplo, ele se torna um mestre no assunto. É o que chamamos de hiperfoco. Você assiste ao seu filme favorito dez vezes, certo? Autistas amam rotinas e repetições, porque isso traz uma sensação de controle e segurança. Eles também gostam de brincar, aprender e fazer amigos, como qualquer outra criança.
Criança atípica: o que significa?
Você já ouviu a expressão “criança atípica”? Isso significa que essa criança se desenvolve e aprende de um jeito que não é o mais comum, mas é o jeito dela. Dentro desse grupo, existem diversas condições, não somente o autismo, como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), a dislexia e a discalculia. O mais importante é saber que essa criança tem as próprias habilidades e os próprios talentos. Ela também pode precisar de mais paciência, apoio e compreensão dos amigos e de quem está por perto.
Fala, Nações Unidas
A Organização das Nações Unidas criou o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. O objetivo é reafirmar que pessoas autistas merecem respeito, inclusão e oportunidades na escola, na sociedade e também nas igrejas. Durante as campanhas de conscientização, que ocorrem ao longo de todo o mês, é comum ver posts e muita gente usando azul. A cor foi escolhida como símbolo de apoio às pessoas autistas e às suas famílias. Em muitos lugares do mundo, monumentos e prédios ficam iluminados de azul para lembrar a importância da inclusão.

A psicopedagoga Luciana: paciência e acolhimento
Amor de verdade
O último Censo de 2022 identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil. São 1,4 milhões de homens e 1 milhão de mulheres. Isso significa que é muito provável que, na escola, no bairro ou na igreja, você encontre uma criança autista. Talvez você já tenha um amigo que seja autista, não?! “Ser amigo de alguém com autismo é uma oportunidade especial de aprender sobre o amor de verdade”, afirma a psicopedagoga Luciana Reis.
Para ela, ser um bom amigo é ter paciência, acolher o outro e respeitar o tempo dele. Você pode convidar o seu colega para brincar, explicar as coisas com calma, esperar a vez dele e até ajudá-lo quando ele precisar.
“E o mais importante: nunca rir, excluir ou achar estranho. O que é diferente também é especial!”, ressalta Luciana, completando: “Quando aprendemos a respeitar e amar as diferenças, nós nos tornamos pessoas melhores e ajudamos a construir um mundo onde todos podem pertencer”.
Deus nos une
Podemos dizer que, na igreja, a família de Deus é reunida. E, em uma família, todos ficam juntos. Na casa de oração, as crianças autistas também aprendem sobre Deus, cantam louvores, fazem amigos e participam das atividades. Quando a Igreja acolhe as pessoas com carinho, ela mostra o coração de Cristo. Não foi Ele quem nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22.39)? Isso inclui olhar para as pessoas sem barreiras ou distinções.
Família em comunhão
Bernardo Aguilar de Jesus tem dez anos. Quando ele tinha três, recebeu o diagnóstico de autismo. Desde então, a família tem vivido uma jornada cheia de aprendizados. Juntos, eles frequentam a Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) Vila Ema, em São Paulo (SP).
A mãe, a auxiliar administrativa Suelen Aguilar de Jesus, de 34 anos, relata que aprendeu a entender a maneira como filho vê o mundo. Com o tempo, todos se adaptaram. Ela também conta que o menino gosta de participar das atividades da Igreja. “O Bernardo ama ir à Igreja, assistir ao Show da Fé e até sabe de cor a programação da RIT TV.” Além de Bernardo, ela tem uma filha, Sophia, de 12 anos.
Para Suelen, uma das coisas mais importantes foi o acolhimento que a família recebeu. “Ser abraçada, sentindo-me amada e não julgada, fez toda a diferença para eu permanecer firme”, diz. Hoje, ela ajuda outras mães cujos filhos receberam o diagnóstico de autismo. “Temos um grupo de apoio no qual oramos umas pelas outras e fortalecemos nossa fé. Sabemos que nossos filhos são bênçãos de Deus (Isaías 65.23)”, declara a mãe.

A família do nosso amigo Bernardo: Igreja é lugar de segurança
Viver a mensagem de Deus
O Pr. Daniel Márcio de Jesus Silva, da IIGD Vila Ema, sabe muito bem a importância da inclusão dentro da Igreja. Pai de Bernardo e Sophia, e marido de Suelen, ele acredita que o tema está cada vez mais presente nos lares, mas ainda em processo de amadurecimento na prática do dia a dia. “Famílias com crianças autistas, muitas vezes, enfrentam desafios silenciosos e falta de compreensão.” O pregador diz que o exemplo de Cristo mostra como devemos agir. “Jesus nos ensinou a acolher pessoas com amor e graça. A igreja pode ser um lugar onde cada família se sinta compreendida e segura.”
Todos juntos
Jesus sempre demonstrou cuidado por todas as vidas. Na igreja, cada criança tem valor, cada pessoa tem importância e faz parte da beleza da criação de Deus. Viram só que lindo exemplo da família do Bernardo? Quando aprendemos a respeitar e incluir, ajudamos a mostrar que a Igreja de Cristo só está completa quando todos são bem recebidos. Afinal, na casa de Deus, ninguém fica de fora!
Como ser um bom amigo de uma criança autista
- Convide-a para brincar – mesmo que a resposta seja tímida no começo.
- Respeite o tempo dela – algumas crianças precisam de mais tempo para responder.
- Evite barulhos que possam assustá-la.
- Seja gentil e paciente com ela.
- Defenda seu amigo ou sua amiga se alguém fizer brincadeiras de mau gosto.


