Castigos físicos na infância podem causar danos
Por: Sandro Miranda

Os castigos físicos, muitas vezes justificados pelos pais como uma forma de educar ou corrigir, podem colocar o desenvolvimento emocional e psicológico dos filhos em risco. Estudos apontam que crianças e adolescentes expostos a práticas agressivas ou humilhantes tendem a apresentar mais dificuldades emocionais, comportamentais e de relacionamento ao longo da vida.
Uma pesquisa recente da University College London (UCL), no Reino Unido, reforça esse alerta. Pesquisadores acompanharam crianças durante vários anos e identificaram que aquelas que sofreram punições físicas até os sete anos apresentaram maior dificuldade no desempenho escolar e 40% mais chances de reproduzir comportamentos violentos na adolescência, como agressões e práticas de bullying. O estudo também apontou para o aumento de cyberbullying entre os jovens expostos a esse tipo de correção.
Os resultados corroboram algo que especialistas em desenvolvimento infantil vêm destacando há anos: bater não ensina. Pelo contrário, pode fazer a criança associar conflitos à violência, além de prejudicar a autoestima, a confiança e a relação com os pais.
“Como psicóloga, cristã e mãe, acredito que a educação dos filhos deve refletir valores, como amor, limites saudáveis, paciência, autocontrole e respeito à dignidade humana”, declara a Dra. Sandra Machado. Segundo ela, a autoridade parental é fortalecida pela construção de vínculo, pela confiança e pelo exemplo. “Quando a correção acontece dentro de uma relação saudável, a criança tem mais condições de desenvolver autoestima, senso de responsabilidade e habilidades para lidar com conflitos de maneira equilibrada”, explica.
Ainda de acordo com a profissional, os pais podem e devem disciplinar os filhos sem recorrer à força: “A disciplina não precisa estar associada à violência para ser eficaz. Pesquisas mostram que estratégias pautadas em diálogo, orientação clara, estabelecimento de limites consistentes e consequências educativas tendem a promover melhor o desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança”, atesta.
Mais do que corrigir comportamentos momentâneos, a educação é uma oportunidade de ensinar valores que acompanharão os filhos por toda a vida. Em vez de gerar medo, a disciplina com base no afeto e na confiança ajuda a formar adultos mais seguros, empáticos e preparados para lidar com os desafios e conflitos do dia a dia.




