

Como agir quando o coração fica preso ao que o machucou?
Por: Sandro Miranda I Arte: Rafael Barsottelli e Adobe Stock
Espaço mal ocupado
O ressentimento nasce de uma mágoa mal resolvida. É como uma ferida emocional. Pode surgir depois de uma bronca, uma injustiça sofrida ou até de algo que parecia pequeno, mas machucou de verdade. O problema é: quando guardamos esse sentimento por muito tempo, começamos a reviver aquela dor várias vezes, e isso pode acabar nos enfraquecendo.
“Deixa pra lá”
Não é nada bom ser machucado por alguém! Há situações que geram ressentimento, e algumas delas podem ter acontecido com você. Um amigo combinou de brincarem juntos, mas foi se divertir com outra pessoa. E, apesar de ter “deixado para lá”, você fica se lembrando disso. Um colega falou algo que lhe causou vergonha na frente da turma, e o episódio ainda está na sua mente, despertando o desejo de se afastar dele. Seu irmão pegou um objeto sem a sua permissão, e, mesmo depois do pedido de desculpas, o erro ainda é jogado na cara dele. Todas essas consequências são o ressentimento em ação.

O “alarme” das emoções
O que acontece no cérebro nesses momentos? Existe uma parte chamada amígdala cerebral. Ela funciona como um “alarme” das emoções: quando nos lembramos de algo que nos feriu, esse alarme pode disparar de novo, trazendo à tona sentimentos de raiva ou tristeza. Ao mesmo tempo, o corpo pode liberar substâncias, como o cortisol, responsável pelo estresse. Ou seja: o ressentimento não machuca só o coração, mas também pode afetar o corpo!
O filho que permaneceu
Na parábola do filho pródigo, encontramos um exemplo desse sentimento. O irmão mais velho se ressente quando o pai faz uma festa porque o irmão mais novo voltou para casa (Lucas 15.25-30). O primogênito tinha tudo: o lar, o cuidado paterno, a chance de celebrar. No entanto, a amargura o fez enxergar apenas o que achava injusto. Isso também acontece conosco quando deixamos a mágoa tomar conta.
O remédio é o perdão
Deus nos ensina o caminho do perdão. Perdoar não é concordar com o erro do outro, e sim escolher não ficar preso àquela dor. Quando perdoamos, abrimos espaço para a paz voltar ao coração.
Quem nunca sentiu o gostinho amargo do ressentimento? Porém, com a ajuda do Senhor, podemos aprender a lidar com esse rancor e escolher um caminho diferente: o da graça, da misericórdia e do amor.
Hora de praticar!
Descreva (ou desenhe) uma situação que tenha lhe causado tristeza ou raiva, detalhando como se sentiu. Depois, faça uma oração sincera, contando tudo para Deus. Por fim, escreva uma frase de perdão: “Eu escolho perdoar e entregar isso ao Senhor”. Guarde esse papel como um lembrete: você não precisa carregar esse peso. Leia sempre que der vontade!

