A lição de Toy story 5: por que brinquedos são importantes?
Por: Sandro Miranda

Woody, Buzz Lightyear e seus amigos estão de volta e, com eles, um desafio dos tempos atuais. Em Toy story 5 - que chega esta semana às salas de cinema, com a missão de superar 1 bilhão de dólares de faturamento -, os famosos personagens terão como adversário a tecnologia. A história levanta uma questão importante: será que os brinquedos tradicionais estão perdendo espaço para celulares e eletrônicos?
Em uma época em que as telas têm sido uma das principais companhias de crianças, jovens e adolescentes em todo o mundo, o filme busca realizar um contraponto sobre essa vivência. Especialistas alertam que o brincar de forma livre, com bonecos, jogos, interações com outros amigos, continua sendo essencial para o desenvolvimento infantil. Afinal, é uma maneira de aprender, criar e descobrir o mundo criativamente. Segundo a psicóloga Dra. Lívia Sperandio, especialista em ABA - Análise do Comportamento Aplicada, na tradução direta - e mestranda em Análise do Comportamento, o chamado “ócio criativo” é primordial na infância. “O brincar livre e os momentos de ócio criativo são fundamentais para o desenvolvimento infantil. São nesses momentos que a criança exercita a imaginação, aprende a resolver problemas, desenvolve autonomia, regula emoções e constrói habilidades sociais”, explica.
Brincar sem roteiro também é aprender
Quebra-cabeças, bola, corrida, carrinhos, bonecas, folhas de papel e até mesmo coisas da natureza fazem parte do que os especialistas chamam de “elementos soltos”. São materiais sem uma única função definida e permitem que a criança invente diferentes maneiras de brincar.
“Brincadeiras com blocos, massinhas, peças de montar, materiais da natureza e outros elementos soltos favorecem a criatividade, a coordenação motora, a concentração e a capacidade de planejamento”, afirma a Dra. Lívia. Além disso, de acordo com a psicóloga, os brinquedos manuais estimulam a imaginação. Uma caixa de papelão pode virar um foguete. Um monte de almofadas pode se transformar em um castelo e um simples graveto passa a ser um item de base para uma casinha de boneca, por exemplo.
O lado de fora também faz falta
O hábito de brincar ao ar livre, correr, andar de bicicleta, subir em árvores e inventar aventuras em parques e praças, proporciona experiências que nenhum aplicativo consegue reproduzir. “As atividades ao ar livre promovem movimento, interação social, contato com a natureza e experiências sensoriais importantes para o desenvolvimento. Quando longe das telas, as crianças tendem a participar mais ativamente das brincadeiras, fortalecendo habilidades cognitivas, emocionais e sociais de forma mais rica e duradoura”, ressalta a Dra. Lívia.
Não é uma disputa entre tecnologia e brinquedos. A discussão levantada por Toy story 5 não significa que celulares, videogames ou tablets sejam os “vilões” da história. O desafio dos pais está em encontrar equilíbrio e fazer prevalecer o bom senso. A imaginação infantil ainda é poderosa; quando uma criança transforma uma caixa em nave espacial ou uma sala em floresta encantada, os brinquedos clássicos mostram que ainda têm muitas histórias para contar.
E você, de que lado está?!





