
Musicoterapia é vida!
Por: Sandro Miranda
Brasileiro respira música. Prova disso é que, em 2025, o nosso mercado fonográfico cresceu mais de 14%, atingindo quase R$ 4 bilhões e colocando o país no top 8 do ranking mundial. Esses dados acabaram de ser divulgados pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, a sigla em inglês). Não há limites de idade para essa paixão. Cantar, bater palmas, acompanhar o ritmo de uma canção ou tocar um instrumento pode parecer brincadeira para muitas crianças, mas, por trás da diversão e dos números, existe algo muito importante: a musicalização.
Segundo a musicoterapeuta Gisele Baptista, esse tipo de arte é um poderoso recurso para o desenvolvimento infantil por ser capaz de estimular emoções, aprendizado e até o modo como o cérebro se organiza. “A música é uma ferramenta maravilhosa que Deus criou para nos organizar e nos trazer memórias boas; aliviar a dor, o sofrimento e nos levar para lugares bons e seguros”, explica Gisele, que também é psicomotricista e possui mestrado em Educação Musical na Diversidade, ambos pela UFRJ.
Quando o interesse encontra a música
Na Educação Infantil, o interesse da criança é uma das chaves para o aprendizado, e a música costuma despertar essa curiosidade naturalmente, às vezes até sem o pequenino perceber. Inclusive, a trajetória de Gisele mostra como esse contato inicial pode marcar uma vida. “Estudo piano desde os oito anos de idade. Sempre gostei muito de música e de cantar. Eu sabia as trilhas sonoras das novelas, séries e dos filmes a que assistia”, conta.
Esse interesse espontâneo é essencial, por transformar o aprendizado em algo prazeroso, mas o incentivo dos pais também ajuda bastante. A ciência já comprovou que a música ativa diversas áreas do cérebro simultaneamente. “Ela cria novas redes neurais, novos caminhos de conhecimento e aprendizagem. Ainda flexibiliza a nossa forma de pensar, porque não é estática, é fluida”, esclarece a musicoterapeuta. Além disso, quanto mais se aprende música, mais caminhos o cérebro desenvolve para resolver problemas.
Durante atividades musicais, diferentes funções do cérebro trabalham juntas, como emoção, raciocínio, memória, coordenação motora e atenção. “Quando ouvimos ou criamos canções, é como se uma cidade apagada fosse se acendendo toda ao mesmo tempo”, compara Gisele.
Aprender com música é mais fácil
Outro ponto fundamental é que a música pode ajudar na memorização. Ela cria uma sensação de aprendizado muito mais forte do que outras atividades. Tanto que, muitas vezes, lembramos de uma letra por anos, e os valores que estavam dentro dela também permanecem. Quantos louvores já nos marcaram, não é mesmo?!
Isso acontece porque o cérebro associa ritmo, melodia e emoção, tornando o conteúdo mais fácil de ser lembrado. Por isso, composições educativas são muito usadas em escolas, igrejas e atividades comunitárias.
Benefícios que vão além da sala de aula
A musicalização trabalha várias áreas do desenvolvimento infantil ao mesmo tempo. Entre os benefícios, estão o desenvolvimento cognitivo, a concentração, a criatividade e a socialização. Vale destacar que a música envolve os dois lados do cérebro. “Quando cantamos ou tocamos, usamos tanto o lado esquerdo quanto o direito. Emoção e razão se conectam”, ressalta a profissional.
Cantar em grupo ou participar de atividades musicais também fortalece vínculos. Ao cantarmos juntos, nossa frequência cardíaca, nossa respiração e nossa pulsação vão se equalizando de acordo com o ritmo da música, o que, para Gisele, cria uma sensação forte de união. “É algo poderoso. Traz um sentimento profundo de pertencimento”, diz.
No fim das contas, a música não é apenas uma atividade artística, ela também é uma poderosa ferramenta de aprendizagem e socialização. Quando a criança aprende se divertindo, o conhecimento acontece de maneira muito mais natural.
E é justamente por isso que a musicalização ocupa um lugar tão relevante na educação infantil: ela transforma aprendizado em experiência, emoção e descobertas!





