
Bullying: como pais e filhos podem identificar, agir e prevenir
Por: Sandro Miranda
Uma realidade preocupante tem chamado a atenção de educadores e famílias em todo o país. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 27,2% dos estudantes afirmam já ter sofrido bullying nas escolas. Entre as vítimas, as meninas são maioria, e cerca de 30% dos casos estão ligados à aparência, cor ou raça. Mais do que números, esses indicadores revelam histórias silenciosas de dor – muitas vezes, vividas dentro da sala de aula. Diante disso, surge uma pergunta essencial: como identificar, agir e, principalmente, prevenir o bullying?
Para nos ajudar a responder a essas perguntas, conversamos com a psicopedagoga Luciana Reis. Ela orienta pais, responsáveis e crianças sobre o tema.
O que é bullying? E o que não é?
Antes de tudo, é importante entender que bullying não é qualquer desentendimento ou discussão. Conflitos acontecem e fazem parte da vida. “Bullying é quando há intenção de humilhar e existe um desequilíbrio de poder, no qual alguém se torna alvo constante de ofensas, exclusões ou agressões”, explica Luciana. Não se trata de um caso isolado: ele se repete e causa sofrimento contínuo.
Sinais de alerta: quando algo não vai bem
Por medo ou vergonha, nem sempre as vítimas conseguem relatar o que estão vivendo. Por isso, alterações comportamentais podem dar pistas valiosas. “Muitas vezes, as crianças não falam, mas demonstram. Mudanças de comportamento, tristeza ou resistência em ir à escola precisam ser observadas com atenção”, orienta a psicopedagoga. Nesses casos, segundo a especialista, o mais importante é acolher sem julgamento.
Entre os principais sinais, estão: queda no rendimento escolar, isolamento ou perda de interesse por atividades, ansiedade ou desânimo frequente e queixas físicas sem causa aparente, como dor de cabeça ou barriga.
Como acolher quem sofre bullying
A Bíblia já falava sobre acolhimento: Jesus nos acolheu para a glória eterna (Romanos 15.7). Para a criança que está sofrendo zombarias, intimidação, humilhação, o primeiro passo é saber que não está sozinha. “Se algo está machucando você – seja uma palavra, seja uma brincadeira ou uma atitude –, é importante contar para um adulto de confiança. Você não precisa passar por isso sem ajuda, e nada do que está acontecendo é culpa sua”, destaca a profissional.
Para os pais, a orientação é escutar com atenção e agir com sensibilidade: evite minimizar a situação (“isso é só uma fase”) e não culpe a criança. O objetivo deve ser demonstrar apoio e segurança e procurar a instituição de ensino para acompanhar o caso de perto.
E quando a criança pratica bullying?
Esse também é um ponto crucial e que precisa ser tratado com responsabilidade, não com punição isolada. A criança que pratica bullying precisa compreender o quanto essa atitude causa dor e mágoa em quem sofre. “Se você já fez alguém se sentir triste ou excluído, é hora de aprender algo muito importante: nossas atitudes têm impacto nas pessoas. Sempre é tempo de mudar, pedir desculpas e escolher fazer o bem”, ressalta a psicopedagoga. Ela destaca o papel essencial da família nesse processo. “Os adultos têm a responsabilidade de orientar e, principalmente, dar o exemplo de respeito e empatia no dia a dia.” Mais do que corrigir ou repreender, é preciso educar para o respeito.
Fortalecendo a autoestima e o diálogo em casa
Crianças que se sentem seguras em casa tendem a lidar melhor com desafios e a respeitar mais o próximo. Um ambiente familiar acolhedor pode ser decisivo na prevenção do bullying. Confira algumas atitudes dos adultos que fazem a diferença: incentivar o diálogo aberto e diário, valorizar qualidades e conquistas da criança, ensinar empatia e respeito à diversidade e acompanhar a rotina escolar e social.
Quando e como a escola deve ser acionada
O combate ao bullying não pode ser feito sozinho. Quando família e escola se unem como uma grande rede de apoio, a intervenção deixa de ser pontual e passa a ser constante. Consequentemente, a criança se sentirá mais protegida. Ao identificar uma situação envolvendo seu filho, comunique à unidade de ensino imediatamente, busque diálogo com professores e coordenação, acompanhe as medidas adotadas, exija ações educativas, não apenas punitivas, e não incite mais violência!
“Educar é formar pessoas”
Mais do que resolver casos isolados, o desafio de viver em uma sociedade onde todos coexistam em paz é construir uma cultura de respeito. “No final, educar é formar pessoas. Isso começa quando ensinamos, todos os dias, que respeito não é opcional e que ninguém tem o direito de ferir o outro”, finaliza Luciana Reis. Diante dos dados e das histórias por trás deles, uma certeza se destaca: prevenir o bullying é uma ação que começa dentro de casa, é fortalecida na escola e transforma toda a sociedade!





