
Uma língua que fala com as mãos e o coração
Por: Sandro Miranda
Nesta sexta-feira, 24 de abril, o Brasil celebra o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Embora possa parecer apenas mais uma data no calendário, o marco carrega um significado especial: foi nesse dia, em 2002, que a Libras foi reconhecida por lei como uma forma oficial de comunicação no país.
Ainda hoje, persistem equívocos sobre o que é a Libras. Diferentemente do que muitos imaginam, ela não é mímica nem um conjunto de gestos aleatórios. Trata-se de uma língua completa, com estrutura gramatical própria, utilizada por milhões de pessoas surdas no Brasil para comunicação, aprendizado e participação na sociedade. “A Língua Brasileira de Sinais não é apenas um idioma ou uma forma de se comunicar, vai muito além disso: é inclusão, é entender que a pessoa surda também é um cidadão e faz parte da sociedade como todos nós”, diz a tradutora e intérprete Karoline Ferreira de Almeida, que atua na Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) com o ministério de Libras.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem quase 11 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Para esse público, a Libras é mais do que um instrumento de expressão, é um caminho para o acesso à educação, ao trabalho e às interações cotidianas. Aprender a língua, portanto, significa construir pontes de inclusão e respeito. “Então, por que limitar esse idioma apenas à comunidade surda? Será que, como sociedade, não temos nenhum dever para com eles?”, questiona Karoline. A reflexão dialoga com valores, como empatia e cuidado com o outro, evidenciando que o aprendizado da Libras também pode ser um gesto concreto de solidariedade.
Dá para aprender Libras? Sim – e de graça!
O acesso ao aprendizado da Libras tem se ampliado nos últimos anos. Atualmente, há cursos on-line – muitos deles gratuitos –, além de vídeos e aplicativos que auxiliam iniciantes. Com dedicação, é possível aprender sinais básicos e até formar frases completas sem sair de casa. Diversas iniciativas buscam democratizar o ensino e tornar a sociedade mais inclusiva.
Entre as estratégias de ensino, a música e a associação com objetos do cotidiano são recursos eficazes, especialmente para crianças. Itens, como copo, colher e lápis, podem ser incorporados ao aprendizado de maneira natural, sem tornar o processo cansativo. A curiosidade infantil, inclusive, favorece esse contato inicial. “Muitas vezes, elas perguntam: “Tia, como fala ‘oi’, ‘tudo bem?’ ou ‘meu nome é...?’ Isso é muito interessante, pois mostra o interesse da criança em se comunicar em outro idioma”, explica a tradutora.
A data também convida à ação. Aprender um novo sinal pode parecer um gesto simples, mas representa uma oportunidade de conexão. Afinal, comunicar-se vai além da fala: envolve compreender, acolher e importar-se com o outro.





